ÁGUAS DANÇANTES
       Olá!
   Estou lhe enviando este e-mail porque a primeira vez que vi um show das Águas Dançantes foi quando o Circo Orlando Orfei veio para a minha cidade (Jaraguá do Sul-SC). Fiquei fascinado em ver como os jatos d' água seguem exatamente a música tocada.
  Quando soube da existência de um show como este no Parque Beto Carrero World, que fica a 100 km. da minha cidade, não exitei um instante em ir até lá para conhecer. O aparelho deles é um pouco maior que o do circo, mas a beleza do espetáculo é a mesma!
  O que você fazia quando era técnico das Águas Dançantes (regulava, instalava, consertava?)?
  Gostaria de receber informações detalhadas de como é o funcionamento deste aparelho.
Estou esperando a resposta...
                          Odinir Klein Jr.
 
 
                        Caro Odinir. 
                        As águas dançantes, foram projetadas em 1930, por um engenheiro hidráulico alemão da cidade de Stuttgart, dono da então recém-criada empresa de aparelhos de linha branca chamada Bauknecht. Apaixonado por música clássica, idealizou uma "basca" (os nome são todos em italiano para seguir a tradição musical) de mais ou menos 3X9 metros com água e 16 bombas  fabricadas pela sua fábrica para o Corpo de Bombeiros. Essas bombas tem duas características. Funcionam com uma lâmina d'água fina, são verticais e tem sua rotação controlada o que dá  intensidade aos movimentos que ele iria criar obtendo  jatos d'água sincronizados aos movimentos rítmicos básicos como allegro, andante, valser, etc. 
                        Assim tinha-se uma coreografia ritmada adaptada a cada música que se quisesse interpretar, Um painel de controle composto de botões para ligar as bombas, botões para dispará-las com velocidade e resistências para elevar as águas com nível regulado mais o controle das cores das lâmpadas, dispunha ao intérprete qualquer movimento que ele quisesse criar em função da música e de sua criatividade.
Então tínhamos:
-Centrale(4) (Fio e água central e o mais sinuoso movimento).
-Cipários(2) (Cascatas de água: uma trazeira outra dianteira).
-Valsers(10)( Com movimentos laterais de onda, controlados, simulavam o momento romântico da melodia)
-Piramides(3) (3 cilindros um dentro da outro formam a piramide)
-Cornos(8) ( nome dado aos filetes de água que cruzavam sobre a flor)
-Fiores(4) (a flor junto com o central formam um lirio de extrema beleza)
-Girandolas(4) ( espirais de água com movimento rotativo de extrema complexidade técnica).
-Réguas de luz com 4 cores (3) (duas inferiores e posteriormente uma superior criada por nós)
 Orlando Orfei, o maior interprete de todos os tempos, na minha opinião e da mídia mundial, do show das águas, interpreta a Cavalaria Ligeira de Franz Von Suppê, pela variedade de ritmos que ela dispôe.
                        As águas dançantes foram fabricadas inicialmente sob encomenda. Uma foi parar na Radio City de Nova Iorque. No Brasil entrou com Orlando Orfei na década de 60. Depois  o Circo Thianny também trouxe uma, que está hoje no Beto Carreiro. Atualmente existem muitas, porém, o segredo e a beleza ainda está com as originais. Thianny, Orlando Orfei e Beto Carreiro ainda apresentam o espetáculo das Águas Dançantes. Eu fui "herdeiro" da tecnologia da fonte a mim transmitida por um grande amigo e chefe do setor elétrico do Circo, Soli, que faleceu na década de 70. Assim minha função era manter as águas funcionando. Elas passaram por diversas reformas efetuadas nas oficinas latino-americanas do Circo que ficam aqui ao lado de minha empresa em Nova Iguaçu. Tenho o prazer de escrever este artigo e vou aproveitar para publicá-lo na minha página com foto pois são muitas a pessoas que me escrevam perguntando pelas águas. Onde elas passavam deixavam um rastro de beleza, paixão e sentimentos inesquecíveis.
 
No final da década de 70 passámos por Santa Catarina e um empresário assistiu ao espetáculo e ficou encantado com as águas dançantes! Pediu a Orlando Orfei para eu ficar um mês a construir uma fonte para ele na frente de um hotel na Praia da Pinheira. Orlando Orfei que sempre foi altruísta e incentivador das artes,  permitiu. Então eu e minha esposa ficamos acampados com o nosso trailer, nesta paradisíaca praia de Santa Catarina e construímos uma réplica adaptada da fonte, no Praia da Pinheira Palace Hotel. Nunca mais voltamos lá. Espero que ela ainda continue lá.